Especialista alerta para excesso de produtos, modismos digitais e reforça abordagem mais simples e eficaz para a saúde cutânea
O Skintok, estética viral do TikTok com vídeos diários de skincare e mais de 1 bilhão de visualizações na plataforma, transformou o cuidado com a pele em um fenômeno de consumo, mas a ciência aponta em outra direção. Rotinas com múltiplas etapas, promovidas como indispensáveis nas redes sociais,vêm sendo questionadas por pesquisadores e profissionais da área.
Para a especialista em estética e cosmetologia Patrícia Elias, o cenário atual revela um desequilíbrio entre informação e prática. “O que a gente vê hoje é um excesso de estímulo e uma ausência de critério. A pele não precisa de muitos produtos, só precisa de estratégia, de entendimento e, principalmente, de respeito à sua biologia”, afirma.
Segundo ela, o uso indiscriminado de ativos pode comprometer a integridade da barreira cutânea, resultando em irritações, inflamações e aceleração de processos de envelhecimento “Muitas pessoas estão prejudicando a própria pele tentando cuidar dela. Misturam ácidos, ativos potentes, seguem tendências sem avaliação adequada. Isso não é cuidado, é uso incorreto de recursos”, explica.
Outro ponto de atenção envolve práticas amplamente difundidas nas redes, como o bronzeamento artificial. “Existe uma percepção equivocada sobre segurança em alguns hábitos. A radiação ultravioleta, seja do sol ou de equipamentos artificiais, está diretamente associada ao câncer de pele. Isso é comprovado cientificamente”, destaca.
Na contramão das tendências virais, Patrícia defende uma abordagem mais racional e personalizada. “A base de uma pele saudável continua sendo muito simples: limpeza adequada, hidratação e proteção solar. Qualquer outro passo precisa ser indicado com precisão por um especialista, não por influência de tendências”, diz.
Ela também chama atenção para fatores sistêmicos que impactam diretamente a pele. “A pele responde ao que acontece no organismo como um todo. Alimentação, estresse e qualidade de vida interferem, e muito, nos resultados. Ignorar isso compromete qualquer tratamento.”
Diante do volume de informações nas redes sociais, a especialista reforça a importância de orientação qualificada. “O skincare virou um conteúdo de entretenimento, mas a pele continua sendo um órgão que exige conhecimento técnico e responsabilidade, para que não haja arrependimentos futuros”, finaliza Elias.
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